Este livro é resultado de um trabalho construído ao longo de mais de uma década de estudos dedicados à psicanálise e, sobretudo, à escuta de sujeitos usuários de drogas.
A obra propõe uma leitura do usuário de drogas para além dos pressupostos psiquiátricos associados à dependência química. Nesse sentido, busca fazer uma cisão com o retrato construído pela psiquiatria acerca do chamado dependente químico, para lançar luz sobre a singularidade daquele que faz uso de drogas: o sujeito.
A partir dessa perspectiva, o livro demarca diferenças fundamentais entre a lógica psiquiátrica e a noção de sujeito em Lacan, colocando em primeiro plano a singularidade das questões que atravessam cada sujeito em sua relação com a droga. Trata-se, portanto, de uma obra que dá voz àquele que faz uso, articulando essa escuta à singularidade e ao manejo clínico de cada caso.
A aposta que sustenta este trabalho é a de que somente o próprio sujeito pode falar sobre seu uso de drogas, bem como sobre as questões mais intrínsecas que o atravessam e que podem estar relacionadas à angústia e ao sofrimento diante da vida. Assim, para além dos diagnósticos e das explicações bioquímicas, a obra propõe uma escuta capaz de considerar aquilo que é próprio de cada sujeito e a função que a droga pode assumir em sua história.